Archive for the ‘EUA 1903 – 1959’ Category

Lady for a Day / Dama por um dia (1933)

janeiro 19, 2010

Não é para enjoar, mas eu vou falar mais sobre Frank Capra. É um vício excelente. Bem, vamos lá.

A história de Lady for a day foi levada a cabo por ele duas vezes, uma em 1933 e outra em 1961 (sobre a qual já escrevi aqui). Por acaso, essa segunda versão foi o seu último filme. As duas produções têm realmente, de um modo geral, a mesma história, com diferenças fortes em relação aos elencos, como seria de se esperar. Além disso, a película mais nova é mais longa, a cores e o título é diferente, Pocketful of Miracles.

As duas versões, como não poderiam deixar de ser, são muito boas, sendo ambas comédias repletas de bons personagens que arrancam boas gargalhadas. A maior parte da crítica considera que a primeira versão é superior, sendo colocada como um dos primeiros grandes clássicos de Capra. Todavia, minha opinião vai de encontro a isso. Considero a segunda versão, com a incrível Bette Davis no elenco, em termos de diversão, bem melhor. Eu digo isso pelo fato da película de 1961 ter sido um dos filmes mais engraçados que já vi, mas de tirar boas gargalhadas mesmo! Principalmente, pelas expressões de espanto que o principal capanga de Dave, the Dude, (Glenn Ford) fazia durante o processo para transformar Apple Annie (Bette Davis) em uma dama da alta sociedade.

Talvez, isso seja causado pelo fato do filme ser mais longo que o de 1933.  Capra era um diretor capaz de manter a mesma qualidade, pelo tempo que fosse necessário, dentro de uma história.

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12 Angry Men / 12 homens e uma sentença (1957)

dezembro 11, 2009

12 homens e uma sentença é um filme excelente, incrível. Uma discussão entre 12 homens de um júri sobre um veredicto. Ao redor de uma mesa, ao longo de mais de 1 hora e meia, o mesmo cenário praticamente, uma sala de médio porte, e no final, o filme é ágil, muito ágil….

Essa é a maior obra de Sidney Lumet (Rede de Intrigas, Um dia de cão). Igualmente, como Lewis Milestone, Orson Wells e Michael Cimino, ele fez a maior obra da sua carreira em seu primeiro trabalho.

Sem mais palavras…

Mr. Deeds Goes to Town / O Galante Mr. Deeds (1936)

novembro 20, 2009

Capra é meu diretor preferido. Em especial, pelo fato das suas histórias, ou melhor, suas fábulas, mostrarem valores inerentes ao bom ser humano. Ele tinha a fórmula cinematográfica perfeita para passar valores. Muitas coisas que vejo nos filmes de Capra, penso que são coisas que deviam estar nos atos de todos os pais, não só nas suas palavras, que são menos importantes, mas em todas as suas ações frente aos seus filhos.

Ás vezes, na maioria das vezes, é claro, é engraçado como Capra consegue nos fazer rir, chorar e sorrir, tudo em um mesmo filme. Ainda bem que sempre são finais felizes! Se não, não teria graça essas tão bem conduzidas películas de embates do bem contra o mal.

A minha crítica, contudo, é que o personagem de Gary Cooper, o Mr. Deeds, é por demais caricatural. Ele não existe em um mundo real, a exemplo dos Vanderhofs em Do mundo nada se leva. Para ilustrar o que falo, devo dizer que não acredito que alguém se livraria, de uma só vez, de 20 milhões de dólares, mesmo que fosse para ajudar pessoas necessitadas, mesmo que fosse pela melhor boa ação do mundo! E olha que 20 milhões de dólares valia muito mais naquela época. Estamos em 1936… a Depressão ainda batia na porta do americanos. Eu também não acredito que alguém possa ser tão ingênuo, seja qual for a cidadezinha de interior de onde venha! Nem que venha de Vermont! Talvez, nem seja ingênuo a melhor palavra, porquê Deeds demonstra esperteza em algumas partes do filme, é melhor mesmo dizer “simples”. Como é que alguém fica multimilionário, de um hora para outra, e no caminho para a cidade grande começa a se preocupar com quem vai ficar tocando tuba na banda da cidade?  Já que ele era o único que tocava o instrumento lá. Isso existe? Eu pergunto: Isso existe? Não, realmente não. Por isso, que até hoje James Stewart me fascina, depois que eu vi A Felicidade não se compra, eu conheci um personagem que tinha um grau muito maior de realidade.

Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto, tiveram, anos atrás, a petulância de reagravar O Galante Mr. Deeds! Foi uma comédia, com uma história um pouco diferente, que tinha Adam Sandler e Winona Ryder no elenco. O filme se chama A Herança de Mr. Deeds (2002).  Não é ruim. Mas não pode ser comparado com o de Gary Cooper e Jean Arthur. Ah, Cooper! Um grande ator! Vi ele em Por que os sinos dobram (se bem que prestei mais atenção em Ingrid Bergman, devo ser honesto) e no clássico Matar ou Morrer, do austríaco Zimmermann, somente para citar alguns… Ele não está por menos nesse filme (sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator), ótimo é pouco. Quem o acompanha é Jean Athur. Talvez uma musa de Capra, quem sabe? Até porque ela  também fez com o  diretor ítalo-americano outros sucessos como Do mundo nada se leva e A mulher faz o homem. Curiosamente, quando professora de artes dramáticas no Vassar College, teve como aluna …………………………  quem? ………………………… Meryl Streep! Ótima aluna, suponho.

Capra levou o Oscar de Melhor Diretor por essa obra-prima (o segundo de três na década de 30). Realmente, o filme é bem conduzido (não é enfadonho) e conta com partes especiais, excelentes para falar abertamente, como o julgamento no final da história. Certa vez, nem me lembro quando, alguém disse que Capra podia dirigir até de cabaça pra baixo. Acho que foi até um outro diretor americano que falou isso. Bem, pois eu digo mais. Frank Capra podia dirigir com as mãos amarradas, os pés presos, os olhos vendados e até os ouvido tampados!

Ah sim, o filme ainda foi indicado a Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor trilha sonora…



You Can’t Take It With You / Do Mundo nada se leva (1938)

julho 3, 2009

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Filosoficamente falando…

As relações honestas não fecham portas, pois não são egoístas. Acredito que quando se tem admiração por alguém, o importante é se essa pessoa está bem, ou não, e pronto. Dando um exemplo banal… quando um pai se esforça para pagar a educação de seu filho, ele não faz isso para que, no futuro, sua cria assuma os seus negócios, embora possa ter esse sonho; para que seu filho seja necessariamente o médico ou advogado que o pai sempre quis ser, e nunca conseguiu se tornar; ou mesmo para que o filho o sustente no futuro. O pai paga o que pode, e não pode, no sustento e educação dos filhos, para que esse possa ter a maior quantidade possível de liberdade no futuro, para que esse tenha um grande leque de escolhas.

Do mundo nada se leva é na verdade um pouco “fora do mundo”. Alguns personagens são tão fantasiosos que, caso existissem, não conseguiriam sobreviver no mundo real. Temos um bom exemplo disso com um diálogo que o senhor Vanderhof (Lionel Barrymore, tio-avô da atriz Drew Barrymore) tem com o fiscal do imposto de renda. Simplesmente, o personagem  diz que não paga os impostos há 22 anos, pelo motivo de não acreditar neles. Bem, isso não existe na realidade, todos sabem. Se existe, é punível perante a lei. Além disso, estamos nos EUA e não em Mônaco, onde não se paga impostos.

Outra coisa importante que gostaria de falar é que não existe esse negócio de fazer somente o que se gosta, como fazem os Vanderhofs, embora deva ser ótimo! Talvez se uma pessoa morar sozinha no meio do mato, longe de qualquer resquício de civilização, isso realmente seja possível. Afinal, como é que você vai sobreviver se o que você gosta de fazer não paga os seus impostos e muito menos sua comida? Só se ficar vivendo às custas de alguém ou, pelo menos, de uma boa herança familiar.

Sendo logo sincero e sem mais blá-blá-blá, eu esperava mais do filme. Até porque me emocionei muito mais com A Felicidade não se compra e dei mais risadas com Esse mundo é um hospício ou Dama por um dia. Todavia, talvez possamos extrair algumas lições de moral, como geralmente é o  grandeeeeee objetivo de Capra, na maioria de seus clásssicos, se nós tentarmos ver as visões dos Vanderhofs de forma menos radical. Relembrando Aristóteles, a virtude é o meio-termo.

Dessa forma, não se pode ir nem pelo lado dos Vanderhofs, que somente faziam da vida o que gostavam, e nem pelo lado  do senhor Anthony P. Kirby (Edward Arnold), o qual deseja que seu filho, James Stewart, siga os seus mesmos passos como banqueiro, sem dar liberdade para que esse possa escolher (por isso, o primeiro parágrafo desse texto!).

Por isso, existem os Hobbys. Se você consegue juntá-los com o trabalho, ótimo! Se não, paciência! Arrume um trabalho que possa sustentar você e suas diversões e, dessa maneira, tente na medida do possível ser feliz. Porque antes de tudo, temos mesmo é que sobreviver. O personagem de James Stewart somente faz sobreviver ao longo de A felicadade não se compra, inclusive ajudando a outros, e no final ele não nota que é feliz e que é o homem mais “rico” da cidade?

De qualquer maneira, Do mundo nada se leva não deixa de ser um bom filme, até porque é uma obra de Frank Capra. Além disso, o filme foi agraciado com 7 indicações ao Oscar, do qual ganhou 2 (Melhor Filme e Melhor Diretor, terceiro Oscar desse ítalo-americano!).

Arsenic and Old Lace / Esse mundo é um hospício (1944)

junho 30, 2009

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Baseado em uma peça da Brodway, Esse mundo é um hospício é uma comédia estrelada por Cary Grant (The Philadelphia Story, 1940) e dirigida por Frank Capra (coisa rara, pois esse diretor ítalo-americano ficou famoso mesmo foi por contar histórias que dão exemplos morais, como A felicidade não se compra, 1945). A obra certamente não se encontra no Hall dos 5 melhores trabalhos dele, porém, ao ser dirigida por uma pessoa do seu porte e estrelada por uma das maiores estrelas da época (Grant), o filme se faz mais do que válido. Além disso, a comédia é “uma pequena pausa” na série de obras documentais que Capra fez sobre a Segunda Guerra Mundial.

Cary Grant encontra-se bastante cômico no papel. Embora exagere nas caretas algumas vezes, é verdade, ele não chega nem perto dos ridículos de um Jimmy Carey da vida.

A história é basicamente a seguinte: o jovem escritor Mortimer (Grant) tem que “proteger” duas tias idosas para que elas não sejam presas pela polícia, mas sim que sejam levadas para um hospício. As duas senhoras, embora simpáticas e aparentemente bondosas, tem a estranha e macabra mania de matar velhinhos em fim de vida com pequenas doses de arsênico, para livrar-lhes dos males da solidão. Para completar o processo, elas contam com a ajuda de um sobrinho louco (John Alexander), que pensa que é Teddy Roosevelt, o qual enterra os corpos no porão. Como se não bastasse esse problema, Grant ainda tem que conviver com a sua noiva impaciente (Priscilla Lane) e a visita de seu complicado irmão (Raymond Massey).

How Green Was My Valley / Como era Verde o Meu Vale (1941)

setembro 25, 2008

Como esse filme tirou o Oscar de Cidadão Kane? Foi uma das maiores injustiças do cinema? Não, sinceramente, acho que não. Quem tiver assistido Como era Verde o Meu Vale vai apreciar um excelente trabalho do diretor John Ford (embora não possamos tirar o peso que Cidadão Kane tinha do ponto de vista de uma obra revolucionário até então).

A história, contada sobre a ótica de um menino, membro de uma família de mineiros em Gales, é narrada com uma sensibilidade que dificilmente se encontra em outras produções do gênero. Pois o filme nos consegue levar (profundamente!) para dentro dos dramas enfrentados pelo pequeno Huw (Roddy McDowall) e sua família, dependentes de uma decadente mina de carvão.

Entre as melhores parte, eu escolho uma que Huw, mesmo depois de receber um diploma de graduação (feito que nenhum membro de sua família tinha alcançado), se recusa a continuar nos estudos (contra a vontade de seu pai) e vai, seguindo o mesmo caminho dos seus irmãos, trabalhar na mina. Outra parte ótima acontece quando o pastor da localidade (um homem honesto e honrado) se defende das calúnias sobre um romance entre ele e a irmã de Huw, que era casada.

Como era Verde o Meu Vale é um drama excelente. Por isso, acredito que se houve injustiça na noite do Oscar de 1941, ela não foi tão grande como alguns colocam.

Ace In The Hole / A Motanha dos Sete Abutres (1951)

setembro 14, 2008

Nesse ótimo drama de Billy Wilder, Kirk Douglas interpreta um decadente jornalista que, depois de ser demitido de vários jornais de grande porte, vai trabalhar em um pequeno jornal na cidade de Albuquerque, Novo México.

Após um ano de serviços (e já não agüentando mais as pífias matérias que faz), ele vê a oportunidade de dar a volta por cima ao tomar conhecimento de um acidente (quando um homem, embora ainda que vivo, fica soterrado dentro de uma caverna da região).

A partir de então, Douglas não medirá esforços para explorar ao máximo essa tragédia.

A Montanha dos Sete Abutres (nome do lugar onde acontece o incidente) é uma boa oportunidade de conferir Billy Wilder longe das comédias.

Stagecoach / No Tempo das Diligências (1939)

setembro 3, 2008

Da melhor qualidade de faroeste! Também, é muito difícil (se não impossível!) uma combinação entre John Wayne e John Ford terminar em um filme ruim. No tempo das diligências tem índios, soldados, mocinhas, fora-da-lei, acerto de contas, perseguições a cavalo e muito mais. Tudo que um grande Western precisa ter.

A história, contando de uma forma muito resumida, é a seguinte: vários tipos de personagens se juntam, com interesses diversos, em uma mesma diligência, no caminho para Lordsburg. Contudo, o percurso encontra-se perigoso, devido aos ataques freqüentes de Gerônimo e seu bando apache na região. Por isso, a viagem é marcada por muita emoção e o suspense na espera de um ataque eminente.

Indo logo ao ponto, em minha opinião, a melhor parte é a perseguição. Quando em certo momento a diligência é atacada por um bando apache. É uma cena clássica de um filme de faroeste! Tiros para todos os lados (inclusive dos índios), mocinhas se protegendo das flechas e o fora-da-lei dando uma de herói (papel extremamente adequado para John Wayne, não é mesmo?)! Nossa, é muito legal! Diga-se de passagem, muito bem feita. Principalmente, quando se nota que o filme é de 1939.

Para concluir meu comentário, digo o seguinte (bem resumidamente como sempre!). No tempo das diligências pode ser descrito em uma única palavra: “obra-prima”.

Stalag 17 / Inferno Nº 17 (1953)

agosto 13, 2008

Antes de A Ponte do Rio Kwai, William Holden já tinha participado de outro famoso filme (“conhecido”, talvez seja uma palavra mais adequada) sobre um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial. Por esse trabalho, recebeu o Oscar de Melhor Ator. Dessa vez, não foi comandado por David Lean, mas sim por outra lenda da direção, Billy Wilder, que ainda foi roteirista e produtor do filme.

Traduzido para o português, a obra foi nomeada de Inferno Nº 17. O filme tem a seguinte trama: em um campo alemão, prisioneiros americanos do barracão 17 (Stalag 17, em alemão), começam a suspeitar da existência de um delator entre eles. Pois suas tentativas de fuga e sabotagens são sempre descobertas. Todas as evidências então partem para o Sargento Sefton (Holden). Afinal, ele é o maior “negociador” do campo, inclusive com os guardas alemães, tendo assim, muitos privilégios. Contudo, Sefton jura não ser o traidor.

Um bom filme sobre um campo de prisioneiros da Segunda Guerra, não tão marcante quanto A Ponte do Rio Kwai, é verdade, mas muito interessante de se ver.

It’s a Wonderful Life / A felicidade não se compra (1946)

agosto 5, 2008

Não foi um sucesso de bilheteria, mas certamente marcou a carreira tanto do protagonista, James Stewart, quanto do brilhante diretor Frank Capra. A felicidade não se compra conta a história do homem prestativo, cidadão e bom pai de família tentando levar a vida pelo caminho mais difícil, o da honestidade e solidariedade para com o próximo. Por isso, ao longo do filme, a realidade não é fácil para George Bailey (Stewart), que muitas vezes tem que se desfazer de seus sonhos pela felicidade de outros.

Em certo momento, George pensa que sua vida de nada valeu, nem para si, nem para os outros. Todavia, Capra nos apresenta a sua visão de qual é a verdadeira riqueza que um homem pode ter, mostrando que seu protagonista é na verdade o homem “mais rico da cidade”. Uma bonita história das muitas que esse diretor soube contar.

Uma das melhores obras da história do cinema!… e olha que eu estou longe de encontrar-me sozinho nessa afirmação.

Esse é o meu filme preferido de Capra e encontra-se em dez melhores que já presenciei na minha vida, não tenho a menor sombre de dúvida!

Viva George Bailey! O homem mais rico da cidade!

Viva Capra! Viva Stewart!