Archive for the ‘Filmes’ Category

Lady for a Day / Dama por um dia (1933)

janeiro 19, 2010

Não é para enjoar, mas eu vou falar mais sobre Frank Capra. É um vício excelente. Bem, vamos lá.

A história de Lady for a day foi levada a cabo por ele duas vezes, uma em 1933 e outra em 1961 (sobre a qual já escrevi aqui). Por acaso, essa segunda versão foi o seu último filme. As duas produções têm realmente, de um modo geral, a mesma história, com diferenças fortes em relação aos elencos, como seria de se esperar. Além disso, a película mais nova é mais longa, a cores e o título é diferente, Pocketful of Miracles.

As duas versões, como não poderiam deixar de ser, são muito boas, sendo ambas comédias repletas de bons personagens que arrancam boas gargalhadas. A maior parte da crítica considera que a primeira versão é superior, sendo colocada como um dos primeiros grandes clássicos de Capra. Todavia, minha opinião vai de encontro a isso. Considero a segunda versão, com a incrível Bette Davis no elenco, em termos de diversão, bem melhor. Eu digo isso pelo fato da película de 1961 ter sido um dos filmes mais engraçados que já vi, mas de tirar boas gargalhadas mesmo! Principalmente, pelas expressões de espanto que o principal capanga de Dave, the Dude, (Glenn Ford) fazia durante o processo para transformar Apple Annie (Bette Davis) em uma dama da alta sociedade.

Talvez, isso seja causado pelo fato do filme ser mais longo que o de 1933.  Capra era um diretor capaz de manter a mesma qualidade, pelo tempo que fosse necessário, dentro de uma história.

The Sting / Golpe de mestre (1973)

dezembro 26, 2009

George Roy Hill ficará eternamente marcado como o diretor de dois filmes de sucesso que, coincidentemente, tiveram Paul Newman e Robert Redford nos papéis principais. O primeiro foi Sundance Kid, 1970, e segundo, e ainda mais divertido, na minha humilde opinião, foi Golpe de Mestre, 1973, certamente um dos melhores filmes de todos os tempos sobre a arte da trapaça. Todavia, é fato que o filme de 1970 é considerado, pela crítica, como superior.

Eu tenho que dizer que o filme é muito legal mesmo e Robert, bem, como em Sundance Kid, ele deslancha mais que Newman, embora o papel principal desse eterno loiro, mesmo na casa dos 70, fique mais nítido no filme em discussão.

Ganhadora de 7 Oscars, incluindo Melhor Filme e Diretor, a produção ainda conseguiu ser uma das maiores bilheterias da década, arrecadou cerca de 160 milhões de dólares, embora não tenha conseguido passar O Exorcista, maior sucesso daquele ano.

Em 1983, fizeram uma seqüência, com atores diferentes, que não teve tanto sucesso.

12 Angry Men / 12 homens e uma sentença (1957)

dezembro 11, 2009

12 homens e uma sentença é um filme excelente, incrível. Uma discussão entre 12 homens de um júri sobre um veredicto. Ao redor de uma mesa, ao longo de mais de 1 hora e meia, o mesmo cenário praticamente, uma sala de médio porte, e no final, o filme é ágil, muito ágil….

Essa é a maior obra de Sidney Lumet (Rede de Intrigas, Um dia de cão). Igualmente, como Lewis Milestone, Orson Wells e Michael Cimino, ele fez a maior obra da sua carreira em seu primeiro trabalho.

Sem mais palavras…

C.R.A.Z.Y. / C.R.A.Z.Y. – Loucos de amor (2005)

dezembro 9, 2009

C.R.A.Z.Y. – Loucos pelo amor atravessa a vida de Zachary Beaulieu (Marc-André Grondin). Ele é um garoto que vive no seio de uma família conservadora de 5 filhos homens, da qual é o quarto. Ao longo da vida, depara-se com fortes questionamentos que causam conflitos com o pai, o irmão mais velho e consigo próprio.

Deixando de lado a história, a película perpassa, em especial, a Québec dos anos 60 e 70, durante época em que começaram a acontecer mudanças profundas na sociedade franco-canadense em questão. A Igreja Católica, outrora imponente, começou a perder grande parte da sua influência, as famílias começaram a diminuir “assustadoramente” de tamanho e os valores modificaram-se.

Ainda deve ser assinalado que a trilha sonora da produção traz, com bom gosto, clássicos do Pink Floyd, David Bowie e Rolling Stones.

O filme foi bem recebido pela crítica e público, inclusive na sua terra natal,  sendo indicado a premiações em vários festivais internacionais.

Bonnie and Clyde / Bonnie e Clyde: uma rajada de balas (1967)

dezembro 8, 2009

Existem alguns filmes que para serem apreciados devem ser inseridos no contexto em que foram produzidos. Imagine o seguinte película, por exemplo: um casal de bandidos que assaltam bancos e, por vezes, matam policiais e reféns. Sua história, como um todo, é vista de uma forma romântica, até mesmo, inocente. Por fim, o filme ainda está repleto de toques de humor, humor negro. Todavia, nada de muito radial, se levado em conta o que já se viu até dias de hoje.

Bonnie e Clyde: uma rajada de balas, 1967, pode ser enquadrado nesse caso. O filme está em qualquer lista dos 100 melhores de todos os tempos. Em grande parte, devido ao seu papel pouco convencional. O que trouxe algumas críticas, principalmente, quanto a uma “naturalização” da violência. Mesmo assim, a produção foi um grande sucesso de bilheteria e deixou Warren Beatty, seu produtor e protagonista, esse último junto com Faye Dunaway, milionário.

Who’s afraid of Virginia Woolf / Quem tem medo de Virginia Woolf (1966)

dezembro 7, 2009

Michael Igor Peschkowsky, mais conhecido como Mike Nichols, é um dos grandes diretores americanos do último século e do começo desse.  Ao longo de sua carreira, foi agraciado com o Oscar (cinema), o Emmy (televisão), o Grammy (música) e até mesm com um Tony (teatro). Esse feito foi somente repetido pelos também judeus Mel Brooks e Barbra Streisand, e a porto-riquenha Rita Moreno.

Em um resumo rápido,  ele foi o diretor do clássico A primeira noite de um homem (1967); o filme de humor negro sobre a Segunda Guerra, e com grande elenco, Ardil 22 (1970); o nada demais A difícil arte de amar (1986); o ótimo Uma secretária de futuro (1988) (o melhor filme da esposa de Antonio Banderas); a divertida refilmagem A gaiola das loucas (1996); o drama Closer (2004) e o recente Jogos do Poder (2007). Ainda têm outros, mas aí a lista fica um tanto quanto extensa.

Todavia, antes de todos esses trabalhos, deve-se falar que o primeiro filme de Nichols foi de um tremendo sucesso. A película conseguiu ser indicada a Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Codjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante no Academy Awards de 1967, e olha que só tinha realmente quatro atores no filme (tirando os dois velhinho do bar, que mal aparecem…).

As atuações de Richard Burton (um dos mais injustiçado grandes atores da história, pois nunca recebeu um Oscar, embora tenha concorrido 7 vezes) e sua mulher na época, Elizabeth Taylor (ainda estavam no primeiro de dois casamentos. Sim, eles cometeram o mesmo erro juntos duas vezes), são primorosas. Talvez tenham sido deveras realistas pelo fato de eles realmente estarem casados e brigarem por demais  na vida real.

A história do filme é uma discussão/conversa que vai ficando cada vez mais quente, em função do álcool, entre dois pares de casal, um professor veterano e a filha do reitor (Burton e Taylor [Oscar de Melhor Atriz]) e um jovem professor de biologia e sua mulher (George Segal e Sandy Dennis [Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante]). Mesmo sendo um drama, o alto tom de ironia nas conversas faz o filme arrancar diversas vezes risadas do espectador ou, pelo menos, deixá-lo impressionado com o desenvolvimento das cenas.

The Apartament / Se meu apartamento falasse (1960)

novembro 30, 2009

Com exceção de A lista de Schindler, estamos falando do  última obra em preto e branco que ganhou o Oscar de Melhor Filme. Se meu apartamento falasse é um clássico cinematográfico e uma das obras-primas de Billy Wilder.

É engraçado, literalmente “engraçado. Essa película é um filme em que você não vai morrer de rir. Existem alguns momentos bem engraçados, mas também não são aqueles que você vai dar a maior gargalhada do mundo. Esse filme de 1960 e ganhador de 5 estatuetas do Oscar faz piadas inteligentes sem cair no ridículo.

Em grande parte graças a Wilder. Ele era um gênio da direção (8 indicações a Melhor Diretor) e do roteiro (12 indicações a Melhor Roteiro) que se foi em 2002. Para ser mais exato, tinha parado as atividades em 1981. Esse austríaco conseguia dirigir comédias, dramas, suspensa, guerra, tudo. Não por menos, Se meu apartamento falasse é  uma comédia-romance extremamente bem dirigida. Se você assiste o filme, deitado no sofá, tem momentos em que você se levante e coloca a cabeça mais perto da tela. Sabe como é?

Ainda acredito que Quanto mais quente melhor, que também tem Jack Lemmon no elenco (excelente nos dois), é mais engraçado. Até porque dei gargalhadas mais fortes. Todavia, bem, nem deveria dizer “todavia”.  Pois é claro que o filme em pauta é um clássico e tudo mais.

Mr. Deeds Goes to Town / O Galante Mr. Deeds (1936)

novembro 20, 2009

Capra é meu diretor preferido. Em especial, pelo fato das suas histórias, ou melhor, suas fábulas, mostrarem valores inerentes ao bom ser humano. Ele tinha a fórmula cinematográfica perfeita para passar valores. Muitas coisas que vejo nos filmes de Capra, penso que são coisas que deviam estar nos atos de todos os pais, não só nas suas palavras, que são menos importantes, mas em todas as suas ações frente aos seus filhos.

Ás vezes, na maioria das vezes, é claro, é engraçado como Capra consegue nos fazer rir, chorar e sorrir, tudo em um mesmo filme. Ainda bem que sempre são finais felizes! Se não, não teria graça essas tão bem conduzidas películas de embates do bem contra o mal.

A minha crítica, contudo, é que o personagem de Gary Cooper, o Mr. Deeds, é por demais caricatural. Ele não existe em um mundo real, a exemplo dos Vanderhofs em Do mundo nada se leva. Para ilustrar o que falo, devo dizer que não acredito que alguém se livraria, de uma só vez, de 20 milhões de dólares, mesmo que fosse para ajudar pessoas necessitadas, mesmo que fosse pela melhor boa ação do mundo! E olha que 20 milhões de dólares valia muito mais naquela época. Estamos em 1936… a Depressão ainda batia na porta do americanos. Eu também não acredito que alguém possa ser tão ingênuo, seja qual for a cidadezinha de interior de onde venha! Nem que venha de Vermont! Talvez, nem seja ingênuo a melhor palavra, porquê Deeds demonstra esperteza em algumas partes do filme, é melhor mesmo dizer “simples”. Como é que alguém fica multimilionário, de um hora para outra, e no caminho para a cidade grande começa a se preocupar com quem vai ficar tocando tuba na banda da cidade?  Já que ele era o único que tocava o instrumento lá. Isso existe? Eu pergunto: Isso existe? Não, realmente não. Por isso, que até hoje James Stewart me fascina, depois que eu vi A Felicidade não se compra, eu conheci um personagem que tinha um grau muito maior de realidade.

Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto, tiveram, anos atrás, a petulância de reagravar O Galante Mr. Deeds! Foi uma comédia, com uma história um pouco diferente, que tinha Adam Sandler e Winona Ryder no elenco. O filme se chama A Herança de Mr. Deeds (2002).  Não é ruim. Mas não pode ser comparado com o de Gary Cooper e Jean Arthur. Ah, Cooper! Um grande ator! Vi ele em Por que os sinos dobram (se bem que prestei mais atenção em Ingrid Bergman, devo ser honesto) e no clássico Matar ou Morrer, do austríaco Zimmermann, somente para citar alguns… Ele não está por menos nesse filme (sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator), ótimo é pouco. Quem o acompanha é Jean Athur. Talvez uma musa de Capra, quem sabe? Até porque ela  também fez com o  diretor ítalo-americano outros sucessos como Do mundo nada se leva e A mulher faz o homem. Curiosamente, quando professora de artes dramáticas no Vassar College, teve como aluna …………………………  quem? ………………………… Meryl Streep! Ótima aluna, suponho.

Capra levou o Oscar de Melhor Diretor por essa obra-prima (o segundo de três na década de 30). Realmente, o filme é bem conduzido (não é enfadonho) e conta com partes especiais, excelentes para falar abertamente, como o julgamento no final da história. Certa vez, nem me lembro quando, alguém disse que Capra podia dirigir até de cabaça pra baixo. Acho que foi até um outro diretor americano que falou isso. Bem, pois eu digo mais. Frank Capra podia dirigir com as mãos amarradas, os pés presos, os olhos vendados e até os ouvido tampados!

Ah sim, o filme ainda foi indicado a Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor trilha sonora…



Guess Who’s Coming to Dinner / Adivinha Quem vem para Jantar (1967)

agosto 20, 2009

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Em 2005, tentaram fazer uma nova versão de Guess Who’s Coming to Dinner, filme clássico de 1967 estrelado por Hepburn, Tracy (sua última película) e Poitier. A empreitada não foi bem recebida pela crítica, também seria difícil o contrário, já que se tentou a refilmagem de uma obra-prima com o patético Aschton Kurtey e outros atores de segunda mão.

Antes de tudo, o original foi produzido em uma época onde o casamento inter-racial ainda era proibido em 17 estados norte-americanos e um ano antes do assassinato de Martin Luhter King. Isso significa que existia toda uma atmosfera sócio-política por trás da película, o que já lhe dava um significado bastante especial. O tema era um tabu, porém, a forma como o roteiro foi conduzido (o filme pode ser considerado drama-comédia) é considerada bastante leve.

Além disso, e já saindo um pouco da discussão sobre a temática racial, esse é o último filme de Spencer Tracy, primeiro ser humano a ganhar dois Oscars seguidos. Duas semana depois de terminadas as filmagens, um dos maiores atores da história do cinema mundial viria a falecer.

Por isso, é importante colocar que o choro de Katherine, no final da película, durante o discurso do personagem de Tracy, é de verdade e não foi programado de maneira alguma. Ela sabia que esse seria o último filme que faria junto com seu companheiro de longa data. Para ser ter uma idéia da situação, Spencer estava tão doente na época das filmagens,  que nenhuma seguradora queira assumir o filme. Resultado, Hepburn e Kramer, o diretor do longa, tiveram que juntar parte dos seus salários para que caso Spencer falecesse durante a produção, um outro ator pudesse ser contratado. Em particular, Katherine Hepburn nunca assistiu ao filme depois de finalizado, ela alegou que seria muito doloroso.

Por essas e outras Adivinha quem vem para jantar é um clássico!

Das serbische Mädchen / A garota sérvia (tradução livre) (1991)

agosto 20, 2009

das serbische madchen

Das serbischen Mädchen (A Garota Sérvia, tradução livre) é o primeiro filme de um importante diretor alemão da atualidade, Peter Sehr (Love The Hardy Way, 2001), o qual foi nomeado entre os concorrentes de melhor filme para o Bundesfilmpreis (relevante prêmio do cinema alemão). Nessa película, Mirjana Jakovic e Bem Becker (Comedian Harmonist, 1998) levam os papéis principais de um Roadmovie que apresenta um melancólico retrato da Alemanha comteporânea.

Sehr conta a história de Dobrila, uma jovem sérvia de 18 anos que mora em uma pequena aldeia com sua família. Em especial, ela se apaixonou profundamente por um jovem alemão nas últimas férias e sua ligação com ele ainda é tão forte, que ela nutre o desejo de reencontrá-lo a qualquer preço. Entretanto, Dobrila não tem nem dinheiro, nem passaporte e muito menos a permissão de seus pais para viajar. Mesmo assim, ela irá empreender uma jornada ilegal com destino a Hamburg (a mais bela cidade do norte da Alemanha!), onde seu amado mora. Como seria de se esperar, durante o caminho a jovem fai enfrentar uma porção de adversidades…

… e você somente vai saber quais são, caso consiga a proeza de encontrar esse filme, o qual é muito raro. Por sorte, tive a oportunidade de assistir a essa pelicula durante um seminário na Universiade de Hamburgo.