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Bons atores… bons diretores – Robert Redford

agosto 19, 2008

72 anos e ainda com cabelo loiro? Me conte seu segredo Robert! Ou melhor, o nome da sua tintura. O californiano Charles Robert Redford Jr. é um dos maiores… “pegadores” do cinema norte-americano? Pela sua rede já passou até Sônia Braga! Bem, também não é assim, ele até que ficou “quieto” por uns tempos. Afinal, foi casado por mais de 20 anos, tendo se divorciado em 1985. Dessa relação duradoura nasceram quatro filhos, um dos quais (Amy) trabalha no ramo cinematográfico. Todavia, o vovô Redford (tem 4 netos) não é somente reconhecido como ator e diretor. Uma de suas maiores contribuições para a sétima arte foi a criação de um dos principais festivais de cinema dos Estados Unidos, o Festival de Sundance, em Utah. Consequentemente, desde então (década de 80) Redford tem se envolvido ativamente no ramo de filmes independentes. Para quem não sabe, o festival é especializado em produções desse tipo.

Antes de ser ator, Robert chegou a ser jogador de beisebol (um bom jogador, diga-se de passagem!) e pintor boêmio na Europa. Todavia, quando desistiu desse último ramo (que geralmente não é muito lucrativo), e resolveu voltar pra casa, conheceu sua futura esposa, Lola. Curiosamente, em menos de uma semana de namoro, se casou com ela.

Por acaso, através do incentivo da sua mulher, começou a fazer um curso de cenógrafo, que desenrolou num curso de ator. Nesse último, acabou sendo descoberto por um agente e, a partir de então,  tem início sua saga no ramo cinematográfico.

Nos primeiros tempos, ficou interpelando entre cinema e teatro, tendo mais sucesso nesse último. Muitas vezes, chegou a rejeitar papéis principais em filmes de sucesso, como A primeira noite de um homem e Quem tem medo de Virginia Woolf ?, obras do diretor Mike Nichols. Devido a convicções próprias, batia de frente com os grandes estúdios de Hollywood. Por isso, pegava personagens secundários e produções de pouco sucesso.

Porém, ainda nesses tempos, deve-se chamar atenção para Esta mulher é proibida, 1966. Vocês sabem por qual motibo eu estou pontuando esse filme? Bem, ele é o primeiro de mais sete. Mais sete o que? Ora, sete filmes de uma parceira duradoura e vitoriosa com o diretor Sydney Pollack.  Veremos ao longo do texto que para se falar da história de Redford, nunca se pode esquecer de citar o nome de Pollack. Contudo, essa primeira parceira (Esta mulher é proibida) é um produto de qualidade mediana, na minha opinião.

Seu primeiro grande trabalho, colocado, nos dias atuais, lá no alto pela crítica, foi Butch Cassidy, 1969, no qual, junto com Paul Newman, faz uma dupla de foragidos da lei. O filme foi indicado a 7 Oscars, dos quais ganhou 4, e ganhou também 8 BAFTAs, incluindo melhor ator para Redford. A parceria com Newman continuaria dando certo em Golpe de Mestre, 1973, um sucesso ainda maior de bilheteria, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. Inclusive, é bom lembrar, que esses dois filmes tiveram o mesmo diretor, George Roy Hill, marcado eternamente por essas duas produções. Ainda no mesmo ano, 1973, fez par romântico com Babra Streisand, sob direção de Pollack (terceiro filme juntos), em Nosso Amor de Ontem, indicado a 5 Oscars.

Mesmo já sendo considerando uma estrela a essa altura, Roberto Redford também estrelou alguns fracassos, a exemplo de O Grande Gatsby, 1974, inspirado no clássico homônimo de Fitzgerald. Para terminar a década de 70, podemos citar o eletrizante Três Dias do Condor, 1975, também com Pollack, e Todos os Homens do Presidente, 1976, sucesso sobre o caso Watergate estrelado junto com Dustin Hoffman.

Agora vamos partir para a década de 80? Vamos falar de 1980? Não, espera aí, para quem não sabe, 1980 é ainda considerado década de 70 e exatamente nesse ano aconteceu algo que marcou a carreira do nosso californiano. Uma dica: não foi como ator. Foi nessa data que Robert estreou na direção e conseguiu o feito de ganhar o Oscar de Melhor Diretor. Gente Como a Gente é um filme que pode ser classificado como muito bom, principalmente para uma estréia. Robert enfrentou concorrência de peso para ganhar o prêmio em 1981(por isso, talvez não merecido). Afinal, nosso debutante concorreu com ninguém menos que Martin Scorcese, Touro Indomável, Roman Polanski, Tess, e David Lynch, Homem Elefante (todos os filmes são obras importantes nas carreiras dos respectivos diretores). A premiação do trabalho de estréia não parou por ai. Gente como a Gente ganhou ainda melhor filme, ator codjuvante (Timothy Hutton) e roteiro adaptado.

Agora podemos passar para a “década perdida” (restringindo o termo ao Brasil!). Ao longo desses dez anos, a carreira de Redford seria mais marcada como ator, através de bons trabalhos com Brubaker, com Morgan Freeman, e Perigosamente Juntos, com Debra Winger. No final, em 1990 fecharia sua última parceria com Pollack (também depois de 7 filmes!), através de Havana, onde contracena com Raul Julia. É também um bom filme.

Entretanto, o filme que mais marcaria sua carreira, nos anos 80, seria Entre Dois Amores, 1986, em que atua junto com Meryl Streep sob a direção de…………….. quem? quem? quem? Isso mesmo, Sydney Pollack. Como eu disse, essa foi uma parceira vitoriosa. O filme foi indicado a 11 Oscars e venceu 7, inclusive melhor filme e diretor. Na trama, Streep é uma mulher rica, casada por conveniência com o primo, que vai morar no Quênia e acaba se apaixonando por um aventureiro, interpretado por ninguém menos que Redford (você por acaso pensou que ele seria o primo?).

Antes de passar para os anos 90, ainda devo colocar que Robert teria tempo para dirigir Rebelião em Milagro, 1988, onde conheceria e iniciaria um romance com Sônia Braga.

Na década de 90, a direção cinematográfica voltaria a ter um maior peso na sua vida. Ótimos trabalhos foram feitos como Nada é para sempre, onde comanda Brad Pitt, Quiz Show, sua segunda indicação ao Oscar de Melhor Diretor, e O Encantador de Cavalos, onde dirige e atua. Todos foram trabalhos notáveis. Porém, também tem trabalhos como ator que se deve citar. Proposta Indecente, onde consegue dormir com Demi Moore (mas também depois de oferece 1 milhão!!!) e Íntimo e Pessoal, com Michelle Pfeiffer, que ficou marcado pela música “Because You Loved Me”. Ah sim, ia me esquecendo, em 2000 ainda teve outro bom trabalho direção. Lendas da Vida, que conta no elenco com o gênio indomável (só que agora jogando golfe), a estonteante Theron (sua namorada) e aquele cara que tentou dar uma de super-herói em Hancock, 2008, (mas acho que ele é melhor quando encontra-se A Procura da Felicidade). Nesse filme, ele é uma espécie de anjo-instrutor do golfe.

Nos últimos anos, proporcionalmente, Redford voltou a atuar mais ativamente. Em 2001, vieram os bons A Última Fortaleza e Jogos de Espiões, em 2004, Refém de Uma Vida, e em 2005, Um Lugar para Recomeçar, em seu segundo filme com Morgan Freeman e seu primeiro com Jennifer Lopez (espero que também tenha sido o último, pelo menos com ela).

Seu último trabalho, onde dirigiu e atuou, foi Leões e Cordeiros, 2007. Um filme que, não entendo a razão, foi mal recebido pela crítica. Mas por min, é recomendado!

Bem, finalmente acabou! Pelo menos por enquanto. Não é fácil resumir a carreira de Robert Redford, uma história de mais de 40 anos relacionada com a sétima arte, que, por sinal, é extremamente rica.


Bons atores… bons diretores – Mel Gibson

agosto 5, 2008

Militante do Partido Republicano, servo declarado da Igreja Católica Apostólica Romana, conhecido filantrópico, apresenta problemas com álcool, tem um casamento de 28 anos (olha que em Hollywood isso é difícil!) e sete filhos (quanta paciência!). Atualmente está na casa dos 52 anos. Seu nome, Mel Columcille Gerard Gibson, de forma mais curta e mais conhecida, pode ser chamado de Mel Gibson.

Bem, vamos para o que interessa. Curiosamente, o primeiro grande filme de Mel se encontrava, até o ano de 2000, no livro dos recordes. Como assim? A resposta é simples, esse filme custou míseros 400 mil dólares e arrecadou mais de 100 milhões! O filme é……………………………..: Mad Max, 1979, que rendeu mais duas seqüências, Mad Max – A Caçada Continua, 1981, e Mad Max – Além da Cúpula do Trovão, 1985, todas com Gibson. A série fez sucesso! Tanto que só não conhece esses filmes quem não tem TV em casa. Pois pense num personagem que passou na Globo e no SBT! Principalmente as duas seqüências.

Esse ator, vindo da Austrália, (americano de nascimento, se mudou para Oceania, com a família, aos doze anos) não se contentou somente em ser lembrado como Mad Max. Em 1987 começou uma nova saga. Só que dessa vez foi com um parceiro, Danny Glover. Maquina Motífera, depois que começou, quase que não parou mais! Pois venho o segundo em 89, o terceiro em 92 e o quarto em 98.

Porém, enquanto estrelava sua segunda série, Mel não deixou de fazer outros filmes e lançar-se em novos projetos. Em 1988, atua junto com Raul Julia e Michelle Pfeiffer em Conspiração Tequila, em 1990, fez Hamlet de Franco Zeffirelli e, no ano de 1992, faz Eternamente Jovem, bonito filme com Elijah Wood e Jamie Lee Curtis. Em 1993, começa a se aventurar na direção com O Homem Sem Face, que foi uma boa estréia.

Gibson continuou nesse caminho de novos projetos e fez certo, muito certo! Tanto que, três anos depois, vem a ganhar as estatuetas de melhor diretor e filme no Oscar. Que trabalho foi esse? Uma dica: no final do filme o personagem principal grita “liberdaaaaaaaaade”!!!! Coração Valente foi o grande vencedor da noite do Oscar de 1996, com 5 estatuetas. Uma premiação muito bem merecida. Pois é um ótimo filme épico que, mesmo com quase três horas de duração, não deixa o espectador com vontade de desgrudar da tela. A trilha sonora é inesquecível, James Horner (Lendas da Paixão, Uma Mente Brilhante) acertou em cheio. A obra foi aclamado pela crítica e pelo público. É um daqueles filmes que mesmo depois que termina e começam a passar os créditos, você ainda sente frio na barriga. Resumindo, é muito emocionante!

Depois de se consagrar em Coração Valente, Mel fez bons filmes como O Preço de um Resgate, 1996, Teoria da Conspiração, 1997, O Troco, 1999 e Do que as Mulheres gostam, 2000, que é uma divertida comédia. No mesmo ano desse último, agora com um salário de notáveis 25 milhões de dólares, Gibson estrelou outro guerreiro da independência. Entretanto, dessa vez a história é alguns séculos mais tarde e do outro lado do Atlântico. O Patritota é um filme muito bom, recebeu três indicações ao Oscar e teve a direção de Roland Emmerich (Independence Day).

Depois dessa, Mel estrelou, em 2002, Sinais e Fomos Heróis. Com relação a esse dois trabalhos, posso dizer que é bom alugar de vez em quando um filme para passar o tempo. São boas produções, nada mais para se acrescentar. Tanto que o melhor da carreira dele, no século XXI, ainda estava por vim.

No ano de 2004, nosso protagonista fez uma aposta. Para muitos especialistas em entretenimento cinematográfico, extremamente arriscada, inclusive para um fervoroso filho de Deus como ele. Porém, Mel acertou em cheio! De novo? Pois é, novamente. O ganho compensou muito bem o risco da aposta. Seu terceiro trabalho na direção arrecadou mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria!(e olha que quase não teve trabalho de marketing!) Gibson ficou com algo em torno de 70% do montante. A Paixão de Cristo foi um tremendo sucesso. Para alguns, um filme sádico e anti-semita, porém, para outros, incluindo nisso o falecido Papa Giovanni Paolo II, uma obra magnífica que relata a dor de quem morreu na cruz para nos salvar. Certamente, é um filme polêmico. Diga-se de passagem, Jesus Cristo é interpretado por Jim Caviezel (Olhar de Anjo, O Conde de Monte Cristo (2002), Deja Vú), um outro católico fervoroso! Acho que cheio de pecado, só mesmo Mônica Bellucci, que interpreta Maria Madalena.

Para terminar esse artigo, pode-se falar do último trabalho de Mel Gibson, Apocalypto, em 2006. Um filme que, para alguns, pode ser de uma violência extrema. Porém, também para outros, pode apresentar uma perseguição com certo nível de emoção. Infelizmente, a obra não teve indicações ao Oscar nas premiações técnicas. Uma injustiça, quando se analisa que o filme foi realizado em plena selva com os atores tendo que falar em dialeto maia.

Mel marcou cada década de sua carreira de uma forma diferente. Na década de 80 vieram as seqüências de Mad Max e Maquina Mortífera, na década de 90, o sucesso de Coração Valente e sua consagração em uma noite do Oscar e, na primeira década do século XXI, o controverso e lucrativo A Paixão de Cristo.

Sinceramente, eu gosto dos trabalhos dele. Não conheço nenhum que possa ser classificado como um desastre cinematográfico. Por isso, vale a pena assistir Mel Gibson seja como ator, seja como diretor.