Mr. Deeds Goes to Town / O Galante Mr. Deeds (1936)

Capra é meu diretor preferido. Em especial, pelo fato das suas histórias, ou melhor, suas fábulas, mostrarem valores inerentes ao bom ser humano. Ele tinha a fórmula cinematográfica perfeita para passar valores. Muitas coisas que vejo nos filmes de Capra, penso que são coisas que deviam estar nos atos de todos os pais, não só nas suas palavras, que são menos importantes, mas em todas as suas ações frente aos seus filhos.

Ás vezes, na maioria das vezes, é claro, é engraçado como Capra consegue nos fazer rir, chorar e sorrir, tudo em um mesmo filme. Ainda bem que sempre são finais felizes! Se não, não teria graça essas tão bem conduzidas películas de embates do bem contra o mal.

A minha crítica, contudo, é que o personagem de Gary Cooper, o Mr. Deeds, é por demais caricatural. Ele não existe em um mundo real, a exemplo dos Vanderhofs em Do mundo nada se leva. Para ilustrar o que falo, devo dizer que não acredito que alguém se livraria, de uma só vez, de 20 milhões de dólares, mesmo que fosse para ajudar pessoas necessitadas, mesmo que fosse pela melhor boa ação do mundo! E olha que 20 milhões de dólares valia muito mais naquela época. Estamos em 1936… a Depressão ainda batia na porta do americanos. Eu também não acredito que alguém possa ser tão ingênuo, seja qual for a cidadezinha de interior de onde venha! Nem que venha de Vermont! Talvez, nem seja ingênuo a melhor palavra, porquê Deeds demonstra esperteza em algumas partes do filme, é melhor mesmo dizer “simples”. Como é que alguém fica multimilionário, de um hora para outra, e no caminho para a cidade grande começa a se preocupar com quem vai ficar tocando tuba na banda da cidade?  Já que ele era o único que tocava o instrumento lá. Isso existe? Eu pergunto: Isso existe? Não, realmente não. Por isso, que até hoje James Stewart me fascina, depois que eu vi A Felicidade não se compra, eu conheci um personagem que tinha um grau muito maior de realidade.

Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto, tiveram, anos atrás, a petulância de reagravar O Galante Mr. Deeds! Foi uma comédia, com uma história um pouco diferente, que tinha Adam Sandler e Winona Ryder no elenco. O filme se chama A Herança de Mr. Deeds (2002).  Não é ruim. Mas não pode ser comparado com o de Gary Cooper e Jean Arthur. Ah, Cooper! Um grande ator! Vi ele em Por que os sinos dobram (se bem que prestei mais atenção em Ingrid Bergman, devo ser honesto) e no clássico Matar ou Morrer, do austríaco Zimmermann, somente para citar alguns… Ele não está por menos nesse filme (sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator), ótimo é pouco. Quem o acompanha é Jean Athur. Talvez uma musa de Capra, quem sabe? Até porque ela  também fez com o  diretor ítalo-americano outros sucessos como Do mundo nada se leva e A mulher faz o homem. Curiosamente, quando professora de artes dramáticas no Vassar College, teve como aluna …………………………  quem? ………………………… Meryl Streep! Ótima aluna, suponho.

Capra levou o Oscar de Melhor Diretor por essa obra-prima (o segundo de três na década de 30). Realmente, o filme é bem conduzido (não é enfadonho) e conta com partes especiais, excelentes para falar abertamente, como o julgamento no final da história. Certa vez, nem me lembro quando, alguém disse que Capra podia dirigir até de cabaça pra baixo. Acho que foi até um outro diretor americano que falou isso. Bem, pois eu digo mais. Frank Capra podia dirigir com as mãos amarradas, os pés presos, os olhos vendados e até os ouvido tampados!

Ah sim, o filme ainda foi indicado a Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor trilha sonora…



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