You Can’t Take It With You / Do Mundo nada se leva (1938)

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Filosoficamente falando…

As relações honestas não fecham portas, pois não são egoístas. Acredito que quando se tem admiração por alguém, o importante é se essa pessoa está bem, ou não, e pronto. Dando um exemplo banal… quando um pai se esforça para pagar a educação de seu filho, ele não faz isso para que, no futuro, sua cria assuma os seus negócios, embora possa ter esse sonho; para que seu filho seja necessariamente o médico ou advogado que o pai sempre quis ser, e nunca conseguiu se tornar; ou mesmo para que o filho o sustente no futuro. O pai paga o que pode, e não pode, no sustento e educação dos filhos, para que esse possa ter a maior quantidade possível de liberdade no futuro, para que esse tenha um grande leque de escolhas.

Do mundo nada se leva é na verdade um pouco “fora do mundo”. Alguns personagens são tão fantasiosos que, caso existissem, não conseguiriam sobreviver no mundo real. Temos um bom exemplo disso com um diálogo que o senhor Vanderhof (Lionel Barrymore, tio-avô da atriz Drew Barrymore) tem com o fiscal do imposto de renda. Simplesmente, o personagem  diz que não paga os impostos há 22 anos, pelo motivo de não acreditar neles. Bem, isso não existe na realidade, todos sabem. Se existe, é punível perante a lei. Além disso, estamos nos EUA e não em Mônaco, onde não se paga impostos.

Outra coisa importante que gostaria de falar é que não existe esse negócio de fazer somente o que se gosta, como fazem os Vanderhofs, embora deva ser ótimo! Talvez se uma pessoa morar sozinha no meio do mato, longe de qualquer resquício de civilização, isso realmente seja possível. Afinal, como é que você vai sobreviver se o que você gosta de fazer não paga os seus impostos e muito menos sua comida? Só se ficar vivendo às custas de alguém ou, pelo menos, de uma boa herança familiar.

Sendo logo sincero e sem mais blá-blá-blá, eu esperava mais do filme. Até porque me emocionei muito mais com A Felicidade não se compra e dei mais risadas com Esse mundo é um hospício ou Dama por um dia. Todavia, talvez possamos extrair algumas lições de moral, como geralmente é o  grandeeeeee objetivo de Capra, na maioria de seus clásssicos, se nós tentarmos ver as visões dos Vanderhofs de forma menos radical. Relembrando Aristóteles, a virtude é o meio-termo.

Dessa forma, não se pode ir nem pelo lado dos Vanderhofs, que somente faziam da vida o que gostavam, e nem pelo lado  do senhor Anthony P. Kirby (Edward Arnold), o qual deseja que seu filho, James Stewart, siga os seus mesmos passos como banqueiro, sem dar liberdade para que esse possa escolher (por isso, o primeiro parágrafo desse texto!).

Por isso, existem os Hobbys. Se você consegue juntá-los com o trabalho, ótimo! Se não, paciência! Arrume um trabalho que possa sustentar você e suas diversões e, dessa maneira, tente na medida do possível ser feliz. Porque antes de tudo, temos mesmo é que sobreviver. O personagem de James Stewart somente faz sobreviver ao longo de A felicadade não se compra, inclusive ajudando a outros, e no final ele não nota que é feliz e que é o homem mais “rico” da cidade?

De qualquer maneira, Do mundo nada se leva não deixa de ser um bom filme, até porque é uma obra de Frank Capra. Além disso, o filme foi agraciado com 7 indicações ao Oscar, do qual ganhou 2 (Melhor Filme e Melhor Diretor, terceiro Oscar desse ítalo-americano!).

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2 Respostas to “You Can’t Take It With You / Do Mundo nada se leva (1938)”

  1. Júnia Says:

    comentamos dois filmes seguidos com visoes diferentes…
    abraços
    Júnia

  2. Júnia Says:

    Há se todos nós pudéssemos levar a vida como os Vanderhof, a família mais alegre existente em todos os tempos onde todos vivem em função de serem felizes, não se preocupando com o futuro, afinal “Do Mundo Nada Se Leva…”

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