La Battaglia di Algeri / A Batalha de Argel (1966)

Enquanto a sempre orgulhosa França (de um passado que fica cada vez mais distante) insiste em manter o controle sobre a sua mais preciosa colônia, em uma época de descolonização da África, a FLN luta pelo fim do domínio metropolitano.

Simples, real e bem-feito (muito bem feito!)! Isso parece contraditório? Não. A Batalha de Argel é um filme feito sem estrelas, praticamente sem atores e vultosos orçamentos. Entretanto, tem cenas realistas que mostram a situação “nua e crua” da guerra entre o exército colonial francês e as guerrilhas da FLN pelas ruas de Argel.

Para alguns, o filme chega perto de um documentário As cenas que podem reunir milhares de figurantes pelas ruas das periferias e do distrito francês de Argel, ainda impressionam nos dias atuais. Tanto que a obra é constantemente exibida a oficias do Pentágono para mostrar como agem certas células terroristas. Talvez, o melhor de tudo seja que a película tenta não tomar nenhum dos lados, embora em caso de desempate inevitavelmente despenque um pouco para os argelinos.

Interessante também são os diálogos entre o coronel Mathieu e os jornalistas durantes as coletivas de imprensa. Em um certo momento, por exemplo, quando questionado sobre os métodos utilizados (tortura) durante os interrogatórios dos presos, o coronel coloca esses como necessários, já que métodos civis seriam mais demorados e teriam menos sucesso. Porém, um repóter retrunca:

“A legalidade nem sempre é cômoda”.

O coronel então responde:

“Quem coloca bombas em locais públicos respeita a legalidade”?

Quer dizer, se fala de terroristas e não de civis. Terroristas não respeitam as “regras de combate” e têm como alvo cidadãos inocentes. Por isso, não devem gozar dos direitos semelhantes a um preso comum. Esse fato legitimaria então a tortura e o não julgamento civil de um terrorista. Isso te lembra alguma coisa nos dias atuais? Talvez Guantánamo…

É claro que a guerra pela libertação da Argélia não se restringiu às ruas da sua capital, a maior parte foi travada nas montanhas pelo interior do país. Todavia, os primeiros anos da guerra foram de uma importância tremenda (“A Batalha de Argel” que alguns oficiais franceses, no fim, pensam ter ganho, se revelaria, dois anos depois, apenas adormecida. Todavia, isso já é outra história que é passado rapidamente no final do filme).

Proibido na França e no Brasil (estávamos no começo do governo militar), essa é uma das melhores  obras cinematográficas sobre guerra de todos os tempos, afirmação que é consenso entre a crítica especializada.

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