Bons atores… bons diretores – Mel Gibson

Militante do Partido Republicano, servo declarado da Igreja Católica Apostólica Romana, conhecido filantrópico, apresenta problemas com álcool, tem um casamento de 28 anos (olha que em Hollywood isso é difícil!) e sete filhos (quanta paciência!). Atualmente está na casa dos 52 anos. Seu nome, Mel Columcille Gerard Gibson, de forma mais curta e mais conhecida, pode ser chamado de Mel Gibson.

Bem, vamos para o que interessa. Curiosamente, o primeiro grande filme de Mel se encontrava, até o ano de 2000, no livro dos recordes. Como assim? A resposta é simples, esse filme custou míseros 400 mil dólares e arrecadou mais de 100 milhões! O filme é……………………………..: Mad Max, 1979, que rendeu mais duas seqüências, Mad Max – A Caçada Continua, 1981, e Mad Max – Além da Cúpula do Trovão, 1985, todas com Gibson. A série fez sucesso! Tanto que só não conhece esses filmes quem não tem TV em casa. Pois pense num personagem que passou na Globo e no SBT! Principalmente as duas seqüências.

Esse ator, vindo da Austrália, (americano de nascimento, se mudou para Oceania, com a família, aos doze anos) não se contentou somente em ser lembrado como Mad Max. Em 1987 começou uma nova saga. Só que dessa vez foi com um parceiro, Danny Glover. Maquina Motífera, depois que começou, quase que não parou mais! Pois venho o segundo em 89, o terceiro em 92 e o quarto em 98.

Porém, enquanto estrelava sua segunda série, Mel não deixou de fazer outros filmes e lançar-se em novos projetos. Em 1988, atua junto com Raul Julia e Michelle Pfeiffer em Conspiração Tequila, em 1990, fez Hamlet de Franco Zeffirelli e, no ano de 1992, faz Eternamente Jovem, bonito filme com Elijah Wood e Jamie Lee Curtis. Em 1993, começa a se aventurar na direção com O Homem Sem Face, que foi uma boa estréia.

Gibson continuou nesse caminho de novos projetos e fez certo, muito certo! Tanto que, três anos depois, vem a ganhar as estatuetas de melhor diretor e filme no Oscar. Que trabalho foi esse? Uma dica: no final do filme o personagem principal grita “liberdaaaaaaaaade”!!!! Coração Valente foi o grande vencedor da noite do Oscar de 1996, com 5 estatuetas. Uma premiação muito bem merecida. Pois é um ótimo filme épico que, mesmo com quase três horas de duração, não deixa o espectador com vontade de desgrudar da tela. A trilha sonora é inesquecível, James Horner (Lendas da Paixão, Uma Mente Brilhante) acertou em cheio. A obra foi aclamado pela crítica e pelo público. É um daqueles filmes que mesmo depois que termina e começam a passar os créditos, você ainda sente frio na barriga. Resumindo, é muito emocionante!

Depois de se consagrar em Coração Valente, Mel fez bons filmes como O Preço de um Resgate, 1996, Teoria da Conspiração, 1997, O Troco, 1999 e Do que as Mulheres gostam, 2000, que é uma divertida comédia. No mesmo ano desse último, agora com um salário de notáveis 25 milhões de dólares, Gibson estrelou outro guerreiro da independência. Entretanto, dessa vez a história é alguns séculos mais tarde e do outro lado do Atlântico. O Patritota é um filme muito bom, recebeu três indicações ao Oscar e teve a direção de Roland Emmerich (Independence Day).

Depois dessa, Mel estrelou, em 2002, Sinais e Fomos Heróis. Com relação a esse dois trabalhos, posso dizer que é bom alugar de vez em quando um filme para passar o tempo. São boas produções, nada mais para se acrescentar. Tanto que o melhor da carreira dele, no século XXI, ainda estava por vim.

No ano de 2004, nosso protagonista fez uma aposta. Para muitos especialistas em entretenimento cinematográfico, extremamente arriscada, inclusive para um fervoroso filho de Deus como ele. Porém, Mel acertou em cheio! De novo? Pois é, novamente. O ganho compensou muito bem o risco da aposta. Seu terceiro trabalho na direção arrecadou mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria!(e olha que quase não teve trabalho de marketing!) Gibson ficou com algo em torno de 70% do montante. A Paixão de Cristo foi um tremendo sucesso. Para alguns, um filme sádico e anti-semita, porém, para outros, incluindo nisso o falecido Papa Giovanni Paolo II, uma obra magnífica que relata a dor de quem morreu na cruz para nos salvar. Certamente, é um filme polêmico. Diga-se de passagem, Jesus Cristo é interpretado por Jim Caviezel (Olhar de Anjo, O Conde de Monte Cristo (2002), Deja Vú), um outro católico fervoroso! Acho que cheio de pecado, só mesmo Mônica Bellucci, que interpreta Maria Madalena.

Para terminar esse artigo, pode-se falar do último trabalho de Mel Gibson, Apocalypto, em 2006. Um filme que, para alguns, pode ser de uma violência extrema. Porém, também para outros, pode apresentar uma perseguição com certo nível de emoção. Infelizmente, a obra não teve indicações ao Oscar nas premiações técnicas. Uma injustiça, quando se analisa que o filme foi realizado em plena selva com os atores tendo que falar em dialeto maia.

Mel marcou cada década de sua carreira de uma forma diferente. Na década de 80 vieram as seqüências de Mad Max e Maquina Mortífera, na década de 90, o sucesso de Coração Valente e sua consagração em uma noite do Oscar e, na primeira década do século XXI, o controverso e lucrativo A Paixão de Cristo.

Sinceramente, eu gosto dos trabalhos dele. Não conheço nenhum que possa ser classificado como um desastre cinematográfico. Por isso, vale a pena assistir Mel Gibson seja como ator, seja como diretor.

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